Rodrigo Schmidt
Aqui eu falo um pouco sobre tudo, tenho interesses ecléticos, sou entusiasta das ciências, artes e liberal social de extremo centro.
A decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre exportações brasileiras não é simples retaliação contra Lula, nem fruto exclusivo de fatores econômicos, ou apenas influência bolsonarista. O jogo é mais complexo e envolve também disputas por terras raras*, plataformas como o PIX, retaliações políticas, sim, e o desejo de Trump de posar como o homem que “dobrou o mundo”, mesmo que isso já tenha se voltado contra os próprios EUA em negociações anteriores.
Lula, por sua vez, facilitou a retaliação, pois sua aproximação com Rússia, China, Irã, e todo e qualquer regime hostil ao Ocidente, somados ao sonho de uma ordem anti-dólar, desafiam frontalmente um dos nossos maiores parceiros comerciais.
Provocamos quem não se provoca.
A nossa diplomacia tem tentado abrir portas no Partido Republicano, mas encontra barreiras e Eduardo Bolsonaro admite ser um dos que as fecham.
Todavia, é importante atentar que as tarifas também prejudicam os EUA. Setores como café e cacau já têm sinal para possível isenção, e é questão de tempo até que aço, laranja e outros produtos estratégicos pressionem pelo recuo.
No fundo, trata-se na verdade de um duelo de egos. Trump quer marcar território contra Lula; Lula não recua. A economia, porém, é implacável: tarifas desse porte reduzem entrada de dólares, elevam a inflação, obrigam o Banco Central a subir juros e geram pressão sobre reservas cambiais. O governo, inevitavelmente, terá de vender dólares e lançar medidas paliativas, mas isso apenas adia a conta.
Se persistirem, as tarifas acelerarão o isolamento comercial e empurrarão o Brasil para medidas populistas e protecionistas, tornando-o mais vulnerável. Ou se negocia cedo, ou se paga caro depois.
P.S. Na data de hoje, Trump já retirou da lista setores estratégicos: indústria siderúrgica, máquinas, derivados de petróleo, laranja e metais preciosos. Confirma-se o que se previa o lobby interno dos EUA pressiona pelo recuo. Mesmo assim, o efeito já é sentido aqui: no Rio Grande do Sul, o preço do boi gordo caiu 5,4% em antecipação às tarifas sobre a carne.
• O que são “terras raras”: 17 elementos químicos essenciais para baterias, motores elétricos, turbinas eólicas, componentes eletrônicos, mísseis e equipamentos médicos. Apesar do nome, não são tão raros, mas sua produção é concentrada em poucos países — sobretudo a China — tornando-os estratégicos (o Brasil provavelmente possui a 2ª maior reserva do mundo deles).
• Isenção para café e cacau: segundo o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, commodities não cultivadas nos EUA, como café e cacau, podem ser isentas em futuros acordos, embora não haja confirmação específica para o Brasil.





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