Aqui eu falo um pouco sobre tudo, tenho interesses ecléticos, sou entusiasta das ciências, artes e liberal social de extremo centro.
Toda ditadura impacta a todos
Existe um problema que as pessoas não compreendem ou percebem com relação às ditaduras, noto especialmente quando vejo amigos dizerem algo como “o problema do Irã é para ser resolvido pelos iranianos”, “o problema de Cuba é para ser resolvido pelos cubanos”, “o problema da Venezuela é para ser resolvido pelos venezuelanos”.
TODAS as ditaduras, não importa se são de esquerda ou de direita, são um problema e uma ameaça ao mundo todo, porque elas jamais se restringem ao território que ocupam. Elas influenciam, interferem, seduzem, sequestram debates globais e frequentemente projetam poder para além de suas fronteiras, seja por ambição territorial direta, seja por subversão política e cultural.
A Rússia há anos dissemina desinformação, propaganda e guerra híbrida contra democracias ocidentais, patrocinando extremistas de todo tipo, de nacionalistas isolacionistas a radicais de esquerda antidemocráticos. A intenção é sempre a mesma: desestabilizar o Ocidente, gerar desconfiança, corroer instituições. É um projeto ativo, contínuo e global. A invasão da Ucrânia não começou com tanques, mas sim com narrativas, infiltração e manipulação.
Na Venezuela ocorre algo semelhante, por serem um regime autoritário economicamente falido, eles também buscam expansão territorial (ameaçaram invadir a Guiana) e exercem influência desinformativa em toda América Latina, inclusive no Brasil.
Até mesmo regimes pequenos fazem isso. A Cuba passou décadas exportando doutrina, financiando movimentos e tentando influenciar países da América Latina. Não existe “Cuba cuida de Cuba”: ela sempre buscou moldar política em outros lugares.
O Irã chega ao ponto de patrocinar grupos teologicamente antagônicos, como Hezbollah (xiita) e Hamas (sunita). Isso parece absurdo apenas se alguém pensar que regimes autoritários seguem coerência ideológica. Não seguem. Eles seguem interesse estratégico. O objetivo é um só: destruir Israel e ampliar influência regional. Se isso exige financiar aliados improváveis, que seja.
Outro ponto ignorado: ditaduras aprendem umas com as outras. Trocam tecnologias de vigilância, técnicas de censura, métodos de repressão e modelos de propaganda. Criam um ecossistema global de autoritarismo, exportando ferramentas de opressão. Os extremistas brasileiros se comportam e seguem pautas idênticas aos extremistas europeus e estadunidenses.
É um condomínio internacional de tiranos.
Por fim, resta ainda a questão dos Direitos Humanos. É dever de todos os países civilizados promover a sua defesa. A desculpa de que “Direitos Humanos são assunto interno” não passa de um álibi conveniente para quem oprime. Fechar os olhos é permitir que a violação continue. É imoral acreditar que o sofrimento humano possui fronteiras geográficas. Democracias têm responsabilidade ética de se preocupar com ditaduras. Não por imperialismo, mas por prudência e por humanidade.





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