80 dias para 2026

Ainda dá tempo

Ouvi outro dia alguém dizer: “Ah, agora só depois do Carnaval.”

Faltam cerca de 80 dias para 2026, e já decidimos que o ano acabou. Enquanto isso, as lojas já começam a mudar as vitrines e a exibir produtos de Natal. Nos supermercados, os panetones voltam às prateleiras. Talvez, por isso, haja a sensação de que não há mais tempo. Mas, será que o tempo acabou mesmo — ou fomos nós que desistimos de usá-lo?

Planejar nossa gestão de vida e tempo não é só montar planilha ou escrever metas no caderno novo de janeiro. É, acima de tudo, decidir o que merece continuar e o que é necessário mudar.
É entender que ciclos não terminam por conta do calendário, mas sim pela disposição de fazer acontecer. É ter a coragem de olhar para vida e dizer: “dessa vez, sou eu quem decido o que e como vai ser.”
Às vezes, o que falta não é tempo — é clareza e direção.

Pense comigo: o quanto da nossa energia em 2025 foi gasta apagando incêndios que poderiam ter sido evitados com um pouco de estratégia? Quantas coisas ficaram para “depois”, como se o depois fosse um lugar real e confortável?

Mas, olhando para o coletivo, dá para perceber que o improviso não é exclusividade individual.
Às vezes, parece que a cidade também segue adiando soluções e esquecendo que há urgências que exigem não só planejamento, mas execução imediata.

A gestão municipal tomou posse este ano com um plano de governo organizado para todo o mandato. Mas, mesmo com um planejamento estratégico a longo prazo, crises apareceram.
A Santa Casa de Uruguaiana é o exemplo mais evidente disso — o maior símbolo de saúde pública regional, precisou passar por intervenção e segue em busca de estabilidade, reabrindo setores, ajustando finanças e reorganizando atendimentos.

É uma lembrança prática de que, na vida — assim como na gestão —, planejar é essencial, mas sem ação, tudo permanece só intenção. Ainda há muita água para rolar neste ano. Oitenta dias. E não dá para deixar a vida levar como se o tempo não fosse a conta cobrar. Não há razão para adiar decisões, nem para empurrar planos para “depois do Carnaval”.

Tempo é oportunidade. Viver é também exercício de continuidade.
O ano não acabou.
Ainda dá tempo de planejar, executar e, se for necessário, recalcular a rota.
A questão é: quem, individual e coletivamente, está disposto a começar?

Genaina Baumart
Jornalista e escritora.
Especialista em marketing estratégico e comunicação assertiva e integrada.

Fala de vida, rotina e escolhas com a leveza de quem vê em tudo uma boa história para contar.
Nesta coluna, o leitor encontra o movimento das ideias e a delicadeza de pensar o sentido de ser.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Onde estamos

Postagens Recentes

Ouça Radi-U