A minha geração será conhecida como a geração perdida pelo PT

Rodrigo Schimidt
Rodrigo Schmidt
Advogado, especialista em Direito do Trabalho
Aqui eu falo um pouco sobre tudo, tenho interesses ecléticos, sou entusiasta das ciências, artes e liberal social de extremo centro.

O PT assumiu o poder do Brasil no início dos anos 2000, bem no início da minha fase adulta, num momento em que o país tinha tudo para finalmente “dar certo”. Estabilidade monetária recém-conquistada, inflação domada, dívida sob controle, instituições funcionando, credibilidade internacional. O terreno estava preparado. A corrida podia começar.

Desde então, o PT praticamente não saiu mais do governo: Lula, Dilma, Lula novamente (com um breve intervalo turbulento que não alterou o eixo central do projeto de poder do partido). E, ao que tudo indica, neste ano, dará Lula outra vez, uma vez que o bolsonarismo colocará no páreo Flávio Bolsonaro e um candidato de terceira via não têm a menor chance.

Isso significa que, pelo menos até 2030, ano em que farei 50 anos, ainda estaremos governados pelo PT.

“Talvez o julgamento da história seja ainda mais duro do que o meu.”
Rodrigo Schmidt

Três décadas.

Durante essas três décadas, vimos outros países emergentes que estavam em situação pior que o Brasil nos despistar e decolar. Coreia do Sul consolidou-se como potência tecnológica e um dos melhores países do mundo. Polônia, Estônia e outros países do Leste Europeu modernizaram suas economias e instituições. Vietnã e Índia cresceram de forma consistente e até mesmo países latino-americanos menores conseguiram, com todas as dificuldades, avançar em produtividade, educação e inserção internacional.

E o Brasil?

O Brasil andou em círculos.

Crescimento médio pífio, produtividade estagnada, sistema educacional que não acompanha o mundo, infraestrutura cronicamente deficiente, ambiente de negócios hostil, Estado inchado, capturado, ineficiente. A cada crise, mais improviso; a cada bonança, mais desperdício.

Os defensores do PT costumam apontar os primeiros anos dos anos 2000 como prova de sucesso. Mas essa leitura ignora um detalhe essencial: aqueles breves anos iniciais do início do século XXI foram muito mais frutos das políticas do FHC do que do PT propriamente dito. Tripé macroeconômico, responsabilidade fiscal, câmbio flutuante, metas de inflação, abertura gradual e até mesmo o bolsa-família! O PT colheu o que não plantou e, assim que pôde, tratou de desmontar e corromper.

O mais correto, portanto, é dizer que tivemos um bom início APESAR do PT, não por causa dele.

Depois vieram a contabilidade criativa, a corrosão fiscal, o uso político de estatais, a expansão irresponsável do gasto, o desprezo pela produtividade, a romantização da pobreza como instrumento político, e, no fim, a maior recessão da história do país fora de contextos de guerra.

O resultado não é apenas econômico. É geracional. Uma geração inteira que entrou na vida adulta acreditando que o país finalmente “ia”, e que agora se aproxima da maturidade olhando para trás com a sensação incômoda de ter vivido num eterno “quase”. Quase crescemos. Quase nos tornamos relevantes. Quase aproveitamos o bônus demográfico. Quase fizemos as reformas. Quase fomos modernos.

Não fomos.

O que resta não é raiva. É algo pior: cansaço. Um cansaço silencioso, histórico, de quem percebe que o tempo passou, o mundo avançou, e nós ficamos presos a um projeto de poder que confunde Estado com partido e futuro com passado.

Talvez o julgamento da história seja ainda mais duro do que o meu.

Mas, para quem viveu isso por dentro, a sensação já está dada: não é só o país que envelheceu mal. A esperança também.

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